Quem foi Maria Borges de Medeiros?

Maria Amália Borges de Medeiros
(1919 – 1971)


Maria Amália Borges nasceu em Lisboa, a 14 de Fevereiro de 1919.

Em 1943 licenciou-se na Faculdade de Letras de Lisboa e três anos mais tarde obteve o diploma de ensino
especial para crianças deficientes do Instituto Aurélio da Costa Ferreira.

Em 1949 esteve presa no forte de Caxias tendo sido proibida de leccionar ou dirigir qualquer colégio.

A partir de 1952 iniciou a sua colaboração com o psiquiatra e psicanalista João dos Santos. Foi com ele e
com Margarida Mendo e outros que colaborou na secção de Higiene Mental do Centro de Assistência
Materno – Infantil (Centro Sofia Abecassis) e que organizou os dois primeiros centros psicopedagógicos
em Portugal (um na Voz do Operário, outro no Colégio Moderno). 
Em 1954 fundou com João dos Santos
e Rosa Benfeito o Colégio Eduardo Claparède (ensino especial) onde em 1955 criaram o Centro de
Recuperação Visual e as primeiras classes de ambliopes em que foram também colaboradoras Cecília
Menano, Maria Luísa Torres Pires e Isabel Pereira.

Foi um dos membros fundadores da Liga Portuguesa dos Deficientes Motores e trabalhou como psicóloga
nesta instituição e no Centro de Paralisia Cerebral.

Em colaboração com João dos Santos e Henrique Moutinho, fundou, em 1956, o Centro Infantil Helen
Keller.

Foi professora de psicologia da criança no curso de jardineiras – de – infância da Associação dos Jardins
Escolas João de Deus.

Maria Amália Borges foi uma das mais destacadas impulsionadoras e divulgadoras da pedagogia Freinet
em Portugal. No sótão da sua casa, uma vivenda na rua Maria, aos Anjos, em Lisboa, funcionou a primeira
escola Freinet em Portugal. Aqui tinham lugar reuniões de educadores e professores adeptos e
empenhados na luta por escola escola ativa . Aqui se fazia formação e se refletia sobre as metodologias e
práticas inovadoras no ensino.

Lucinda Atalaya pertencia a este grupo de pioneiros. Maria Amália foi uma referência para a fundadora do
Jardim Infantil Pestalozzi. Esta escola e o Centro Infantil Helen Keller, de que Maria Amália era diretora
pedagógica, fizeram parte do primeiro núcleo de escolas Freinet. Testemunho desta ligação e partilha é a
correspondência escolar entre as crianças das duas escolas.


Maria Amália Borges defendeu sempre uma pedagogia ativa. Segundo ela o aluno só aprendia “(...)
fazendo, tateando, explorando, agindo, construindo e descobrindo o mundo que o cerca e novas formas
de expressão e ação.”

Em 1963 parte para o Canadá onde foi professora de pedagogia na Faculdade de Ciências de Educação da
Universidade de Montréal. Foi membro fundador da “Association Québécoise pour l´Éducation Active” e
conselheira técnica e titular da redação de uma revista psicopedagógica.

Durante vários anos esteve impedida de entrar em Portugal. Só lhe foi permitida a entrada depois de se
ter naturalizado canadiana.

A preparar o doutoramento em França deslocava-se com frequência à Europa e sempre que possível a
Portugal.

Em Abril de 1968 fez duas conferências no Centro de Investigação Pedagógica da Fundação Calouste
Gulbenkian que foram publicadas com o título " O papel e a formação dos professores"

Em 1971, regressa a Portugal já doente e morre neste mesmo ano.


Bibliografia selecionada:
  • “Pedagogia, vida e reeducação de inferiorizados visuais: a obra pedagógica do Centro Infantil Helen
    Keller”, Seara Nova, Lisboa, Agosto, 1962.
  • “O papel e a formação dos professores“. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1970.
  • “As três faces da pedagogia “. Lisboa: Livros Horizonte, 1972.  




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Luis Pitta CFmbm,
25/06/2012, 15:42